Mapa de Al-Gober domingo, nov 27 2011 

Não sendo reconhecida oficialmente como nação, Al-Gober é um território de disputa entre Windlan e a Tribo de Iblis.

A maior parte de seu território é dominada pela Aridez Sombria, uma extensão de deserto habitada pelos Nômades Azuis, nativos da região.

A Baía das Ondas de Fogo é um dos maiores focos de disputa entre Iblis e Windlan. É lá que está localizada Khaldur, a maior cidade e suposta capital de Al-Gober.

Finalmente, as Torres do Mar Primordial são uma descoberta recente, que tem atraído a atenção de muitos pesquisadores de Windlan, Aurin e Tawosret.

(Clique no nome da região para ouvir a trilha sonora correspondente)

Baía das Ondas de Fogo

A constante atividade vulcânica nesta baía faz com que ela esteja sempre coberta por um manto de vapor e fuligem. O mar que banha seu litoral possui uma alta concentração salina, o que faz com que ele não abrigue muita vida. Em alguns locais as águas chegam a assumir um tom avermelhado, se tornando tão corrosivas quanto ácido. A pouca vegetação do lugar, que não raro está seca, é composta por palmeiras recobertas de espinhos rígidos. Sendo a única saída livre para o mar de Al-Gober, a baía é disputada pelos Piratas de Iblis e pelos Caveiras Caolhas de Windlan, que fazem das águas do lugar um verdadeiro campo de batalha. As ilhas e desfiladeiros espalhados pelos arredores servem de esconderijo para os corsários, que ocultam seus navios na fumaça dos vulcões. O único lugar supostamente livre do conflito é a cidadela de Khaldur, encravada em meio aos picos flamejantes.

Aridez Sombria

A maior parte do território de Al-Gober é composta por um deserto de areias escuras, cujo tom varia entre o cinzento e o negro. A poeira em suspensão obscurece a luz do sol em algumas horas do dia, tornando a paisagem ainda mais desoladora. Apesar de sua geografia inóspita, a Aridez Sombria é habitada por um povo conhecido como os Nômades Azuis, descendentes dos habitantes originais de Al-Gober. A maioria desses nômades são simples pastores, que ás vezes trabalham como guias para caravanas ou comitivas militares. Já outros se juntam em grupos de bandoleiros, que são uma constante ameaça aos viajantes. As areias também são habitadas por homens-lagarto, lâmias e um povo-pássaro com características de abutre. Recentemente, com a libertação de Al-Azif, uma raça insetóide ainda desconhecida tem expandido seu território, ocupando as ruínas do antigo Sultanato de Gehenna.

Na parte norte da região Windlan vem aos poucos ganhando terreno a partir da Expedição Blackhawk, centrada em um forte que vem resistindo bravamente ás investidas de bandidos e ameaças piores, como as nuvens de gafanhotos carnívoros de Al-Azif. O Coronel responsável pela expedição pretende em breve transformar o lugar em uma Colônia de Windlan, expandindo as linhas de transporte aéreo e aumentando o número de tropas.

Torres do Mar Primordial

Apesar de estarem presentes em relatos dos Nômades Azuis, a existência das Torres do Mar Primordial só foi confirmada recentemente, quando um grupo de aventureiros do qual fazia parte uma Cronista de Rosetta esteve no local. Erguendo-se da areia como dedos ressequidos, elas despontam em meio a uma vasta planície salina. O estranho material de que são feitas é o estromatólito, um composto calcário formado por organismos marinhos. Por esse motivo, alguns pesquisadores acreditam que as Torres nada mais são do que imensos recifes fossilizados. Porém, um estudo mais aprofundado revela que sua estrutura é mais complexa do que parece, parecendo manter uma insólita organização apesar da origem orgânica. Provavelmente esse fato tem relação com as estranhas inteligências que habitam as cavernas e salões subterrâneos das Torres, criaturas que já foram chamadas pelos Nômades Azuis de “Vozes do Deserto”.

Anúncios

Introdução – Al-Gober terça-feira, nov 22 2011 

Música

I’ve chased this dream since I was five
And I have barely stayed alive
While folks have fallen off this ship
Well, I have never lost my grip

A música do gramofone preenchia o escritório de Leomond Blakchawk naquela manhã ensolarada. Sentado perante uma das grandes vidraças do cômodo, o Coronel tomava seu chá enquanto admirava a grandiosidade do deserto de Al-Gober, seus quilômetros de areia escura que se perdiam no horizonte distorcido pelo calor. Aquela era a fronteira final para o Reino de Windlan, uma vastidão desolada e hostil que não poderia ser domada por ninguém senão os valentes homens da Coroa. Com sua determinação e superioridade tecnológica, eles logo conseguiriam trazer a civilização para aquele lugar estéril, ampliando suas colônias e rotas de comércio. Sem deixar, é claro, de se apropriar honestamente de qualquer riqueza que estivesse oculta sob aquele mar de areia interminável. Um pagamento justo por retirar os pobres nômades nativos de seus séculos de atraso.

Some folks will tell me I’m all wrong
(He’s all wrong)
But I won’t listen, well, not for long
(No, not for long)

Foi então que uma pequena nuvem escura e disforme surgiu no céu. Pela velocidade com que se movia e pela sua experiência na região, Leomond sabia que aquilo com certeza não era sinal de chuva. Caminhando rapidamente até sua escrivaninha, o Coronel girou uma manivela, fazendo com que do teto surgisse um tubo de cobre, cuja extremidade curva se abria em formato cônico e tinha a abertura coberta por uma grade metálica. – Atenção homens! – disse ele aproximando a boca da grade – Formação suspeita a sudoeste. Aguardando identificação.

-Sim, senhor! – respondeu uma voz chiada vinda do tubo, voltando a falar após alguns segundos – Gafanhotos, senhor! Estão se aproximando rápido, menos de dois minutos. Solicitando permissão para acionar o campo defensivo.

-Permissão concedida – respondeu Blackhawk, voltando para a vidraça enquanto seus homens trabalhavam no maquinário ou corriam para o interior do prédio. Ele nunca se cansava de ver aquilo, a luta do homem windlês contra os perigos dos recantos selvagens do mundo. Com um ruído ensurdecedor, as quatro estruturas metálicas do campo de proteção se ergueram da areia ao redor do forte. Elas se pareciam com patas de aranha viradas ao contrário, mas cada uma trazia em sua ponta uma esfera metálica, que faiscava com eletricidade. Quando os gafanhotos chegaram, obscurecendo a luz do sol e emitindo um ruído infernal, as esferas dispararam ao mesmo tempo, criando um campo elétrico que fritava os insetos antes deles conseguirem adentrar o forte, sem causar qualquer dano na construção ou nos seus ocupantes.

Say, by the way, doctor, is mystery your sole pleasure?
Young man, what could be more pleasant than mystery?
Well, music. I mean the kind of music men hum or whistle when they feel on top of the world!

Logo, só o que restava dos temidos gafanhotos carnívoros de Al-Gober era uma infinidade de cadáveres que forrava a área externa do forte. Deixando o escritório, ele se dirigiu até o salão de entrada do edifício, onde seus subordinados olhavam atônitos para o estrago. Era difícil para eles acreditar que aquela máquina havia funcionado. Principalmente para Amestan, o guarda-costas nativo de Leomond que nunca havia pisado em Windlan. Mesmo após a máquina ter sido desligada, o homem alto e negro hesitava em sair pela porta, e nenhum dos outros soldados parecia querer ser o primeiro a testar se ainda havia eletricidade do lado de fora. Vendo aquela cena patética, o Coronel terminou de tomar seu chá e pigarreou alto.

-O que estão esperando, seus borra-botas? A festa já acabou, agora limpem essa bagunça. Logo a Major virá com mais um carregamento, e quero que este forte esteja impecável quando ela chegar. Está claro, homens?

-Entendido, senhor! – responderam os homens sem muita animação, saindo para pegar vassouras e baldes. Tudo estava se saindo excepcionalmente bem. Em pouco tempo, Al-Gober ficaria sob domínio absoluto da Coroa. E o nome do Coronel Leomond Blackhawk ficaria gravado na história para sempre.

So hate me
You might as well hate me
And go on, berate me
Until the day you die

Al-Gober sexta-feira, nov 18 2011 

Extraído de um Papiro na Biblioteca de Rosetta. Anotações de Abdul Allhazred

Dizem os ancestrais que a muitas eras atrás, quando as estrelas eram jovens, a terra desolada de Al-Gober já foi uma planície fértil, que rodeava um lago de águas escuras e esverdeadas. Bosques de árvores exuberantes e bandos de animais majestosos, que já não existem mais, se espalhavam por sua margem. Nesse lugar paradisíaco prosperou um povo de pescadores, que usava arpões de osso para caçar as feras do lago e facas de rocha esverdeada para se defender dos predadores da mata.

Acredita-se que este povo forte e simples tenha sido um dos primeiros grupos de humanos a povoar o mundo. O fato de, mesmo nessa época, eles se depararem com algo indubitavelmente mais antigo do que eles, mostra como nosso período de existência é ínfimo diante da ancestralidade do cosmo.

Um dia, um grupo de pescadores encontrou nas águas escuras e lodosas das profundezas do lago uma caverna, em cujas profundezas algo vivia. Algo dormia. Algo sonhava. E seus sonhos inquietos faziam com que a terra, a água e os animais sofressem como se atingidos por um fogo invisível, que parecia se condensar na neblina fantasmagórica que saía da gruta.

Foi ao dormir nas margens próximas a essa caverna que as pessoas tiveram seus primeiros pesadelos.

Com eles veio um medo com o qual o povo do lago não sabia lidar, pois não era algo definido como o instinto de auto-preservação que os protegia dos predadores, mas sim algo que nunca era visto por mais que vigiassem, atacando assim que fechavam os olhos para descansar. A maioria dos pescadores logo abandonou aquele lugar, para poder voltar a repousar em paz. Mas houve aqueles que permaneceram, pois se sentiam atraídos, curiosos em descobrir o que era aquela bruma que lhes trazia visões grotescas durante o sono, que de tão estranhas não podiam ser descritas por palavras.

Segundo recentes pesquisas arqueológicas no Campo de Escavação Blackhawk, estes remanescentes assumiram aos poucos comportamentos infaustos e passaram a ser evitados como loucos, sendo em poucos anos abandonados pelo seu povo. Aparentemente, com o tempo alguns deles descobriram em meio ao pandemônio abominável que invadia suas mentes um padrão, uma linguagem proibida e nefasta, oriunda de um abismo perdido na escuridão além do tempo.

Mesmo sem decifrar o que dizia, eles descobriram que o lago tinha consciência de suas existências e tentava se comunicar. As mentes destes oráculos foram estilhaçadas nesse processo, sacrificadas em troca dos segredos ancestrais que se desvelavam em seus pesadelos sombrios. Todo conhecimento exige um custo, mas logo o invisível tutor passou a exigir mais por seus ensinamentos proibidos.

Quando as pessoas começaram a desaparecer na escuridão da noite, o povo do lago sabia que havia algo errado. Os exilados ergueram uma vila, e gravavam desenhos estranhos na pedra, desenhos que não se pareciam com nenhum animal já visto. Um dia, uma das pessoas desaparecidas foi encontrada, agarrada em uma canoa. Ela estava muito assustada, e falou sobre uma cidade de pedra nas águas escuras, formada de torres esburacadas que não haviam sido construídas por qualquer ofício do povo do lago.

Seu portão de entrada estava naquela caverna escura, e seus habitantes queriam voltar para a superfície, guiados pelos exilados. O homem que disse isso nunca mais dormiu outra vez. Os homens do lago se reuniram e todos concordaram que algo precisava ser feito. Os guerreiros mais fortes partiram então para a vila dos exilados, levando suas lanças e facas de pedra esverdeada para afugentar de volta os habitantes da cidade além da caverna.

Apenas um retornou, em estado ainda pior do que aquele que havia sido encontrado no lago. Ele não conseguiu falar o que havia acontecido com os outros, e morreu gritando em desespero na primeira vez em que adormeceu.

Todo o povo pescador foi tomado pelo medo e pela agonia. Alguns fugiram para o mar, em busca de outra terra. Outros tentaram se  juntar aos exilados, mas encontraram apenas a morte, oferecidos como sacrifício para a caverna.

Não se sabe o que aconteceu com aqueles que fugiram, mas neste movimento migratório eles provavelmente deram origem a outros povos, cuja identidade podemos apenas conjeturar. Porém, existe também um pequeno grupo que permaneceu em Al-Gober, ancestral dos atuais nômades que vivem naquele deserto. Foram eles que guardaram esta história, passada oralmente entre seus descendentes através de inúmeras gerações e aqui registrada nos documentos dos antigos escribas de Tawosret, durante o domínio que foi exercido sobre o povo de Al-Gober no reinado da Rainha Seshafi.

Houve um dia em que uma das canoas retornou, e os que com ela vieram disseram ter chegado a uma ilha distante, na qual a luz do sol e da lua refletia em um mar de águas prateadas. Eles traziam consigo um profeta que possuía o poder de silenciar as sombras da caverna, pois era tão ou mais antigo que elas. E ele ensinou esse poder aos homens do lago, despertando neles entidades poderosas, feitas de palavras e estrelas. Estas entidades passaram a governar o destino dos homens, as protegendo de todo o mal e elegendo aqueles que por direito deveriam receber sua infinita sabedoria e glória.

A última frase deste papiro provavelmente não faz parte da história original, que eu mesmo ouvi dos anciões nômades de Al-Gober. Acredito que o escriba a tenha acrescido para justificar o poder exercido pela teocracia da época. Os detalhes sobre o que ocorreu a seguir são confusos, e variam de acordo com a versão de cada família. Alguns filósofos debatem que parte da força narrativa da guerra entre as entidades (que mais tarde seriam chamadas de Aeons) e os seres da caverna, está justamente em como a mente humana a vê e nela espelha suas próprias esperanças e temores.

Um outro detalhe que merece nota é que a tradição dos nômades menciona um momento em que as criaturas da caverna, já perto de serem derrotadas, lançaram uma maldição sobre Al-Gober. Segundo eles, após um longo terremoto surgiu das entranhas da terra uma gigantesca praga, que foi chamada de Al-Azif. Esta praga devorou em pouco tempo quase tudo que havia ao redor do lago, tornando o local estéril e desolado. Furiosos, os discípulos do profeta deram seu golpe final. Após fazerem com que toda a água do lago desaparecesse, eles ergueram até a superfície a cidade inumana. Pegos de surpresa e incapazes de se adaptar á claridade e ao calor, as entidades do lago recuaram para as profundezas de seus pilares de pedra, onde voltaram a dormir… até recentemente.


Real Sociedade Expedicionária de Windlan I segunda-feira, nov 14 2011 




Ahlan wa Sahlan, ladies and gentleman! Nossa viagem por Al-Dasht termina aqui, mas muito ainda está por vir neste Ano I do Crônicas do Mar de Prata, que prossegue até Dezembro de 2012. Nesta primeira fase do cenário conheceremos 12 das 20 nações de Keleb. Estas nações englobam todas aquelas que apareceram ou vão aparecer nas campanhas de RPG, e mais algumas outras.

Agora que Al-Dasht ficou para trás com seus gênios e sultões, seguiremos rumo a Al-Gober, uma terra desolada e esquecida pelos Aeons. Mas isto não quer dizer que personagens de Al-Dasht serão engolidos pelas areias do tempo. Confiram a grande competição nesta mesma publicação.

Gostaria de agradecer mais uma vez a todos que votaram e ajudaram o Sob a Miragem Cerúlea a vencer o 1º Desafio de Contos do Multiverso. E aos organizadores do concurso pela oportunidade.

Vejam também a prévia de uma das primeiras narrativas em capítulos do Mar de Prata, que conta a história de algumas figuras ilustres do Instituto Marque de Sauge. O nome provisório é Grimoire D’Sorciére, mas provavelmente ele será alterado nos capítulos futuros.

Real Sociedade de Crônicas Independentes

A Real Sociedade de Crônicas Independentes possui um curioso arquivo de relatos e histórias vindos de todas as partes de Keleb. Desta vez, nosso objeto de interesse é Dear Brother, uma carta endereçada a um jovem oficial de Tawosret durante o difícil período da Guerra conta a Ordem da Meia-Noite.

Real Sociedade de Torneios e Competições 

Entre todos os personagens que aparecem nas histórias de Al-Dasht, é difícil escolher qual deixou uma impressão mais profunda entre aqueles que as ouviram. Por isso, a Real Sociedade de Torneios e Competições tenta pôr fim a este dilema perguntando: Qual o Personagem Favorito da Nação dos Sultões?

-Hatshu, a Engenheira de Mavi Meio-Ifrit

-Tezla, seu paciente companheiro Clockwork

-Ubyr, o vampiro com olhos de absinto

-Mahasti, a Dançarina da Morte Elfa

-Mash’al, o jovem herdeiro de Sharesukteh

-R’yak, o curioso Falarque da Floresta de Olíbano

-Rai’dah, a Rainha Ifrit da Tribo de Aswad

-Amirah, a Princesa Invocadora de Jezirat

-Zarkan, o Marid do Palácio de Aratta

O vencedor dentre estas exóticas figuras será divulgado nesta publicação, com uma ilustração inteiramente nova.

Expedição Winterwolf terça-feira, nov 8 2011 

Uma Narrativa dos Acontecimentos nas Ilhas de Jezirat, 1698, com considerações a respeito do naufrágio da fragata Shrapnel e do destino de seus tripulantes.

Em 1698, eu, Elijah Victarion Winterwolf, fui escalado como capitão da fragata Shrapnel, a serviço dos Arautos do Vapor e de Sua Majestade. Minha missão era guiar uma expedição até as Ilhas de Jezirat, realizando uma visita ao Sultão Behrouz na cidade de Aratta. Oficialmente, os motivos da visita eram de natureza comercial, com o propósito de estabelecer novas rotas e acordos com Al-Dasht. Não obstante, também partíamos em busca de um local onde pudesse ser estabelecido um porto regido pela Coroa, em uma das muitas ilhas desabitadas nas águas do Sultanato. Tal objetivo se tornava mais urgente depois que nossos superiores receberam a informação de que navios de Aurin exploravam as águas de Jezirat com o mesmo propósito. Por esse motivo a expedição acabou por ser organizada apressadamente, sem as devidas precauções que teria tomado se pudesse prever o que nos aguardava naquele pavoroso arquipélago.

12 de Setembro

Deixamos o Porto de Ravenest a seis dias. Trago em minha companhia minha filha Angelica e o Imediato Grey, meu sobrinho, além do Contramestre Rusty Cooley, o Comissário Duncan Sharpwind e uma tripulação de cinquenta homens. É um alívio deixar as vielas infestadas de ratazanas na cidade grande e poder respirar o ar puro do oceano mais uma vez. Espero que ele também faça bem a Angelica, que só está nessa viagem por ter recentemente me colocado em uma situação delicada com a Marinha, após ter detonado explosivos em uma fossa de esgoto, próxima a janela do prédio no qual eu estava em importante reunião. Esse incidente quase arruinou a expedição, mas felizmente pude contar com o financiamento de um velho amigo, dono de uma importante fábrica de bebidas da qual sou um dos mais fiéis clientes.

16 de Outubro

Ancoramos em uma pequena ilha ao norte de Jezirat. Quase toda sua extensão é ocupada por um bosque, que nos será de bastante utilidade para realizar os reparos necessários no navio. Entre as rochas da praia, encontramos caranguejos que chegavam a 1,5m de diâmetro. Nosso cozinheiro, John Lobster, logo descobriu que possuíam um sabor bastante aprazível, e passamos uma tarde inteira a caçá-los, usando tiros de pistola para tirá-los da água. Um de nossos homens, um jovem e amistoso corsário chamado Bobby, se mostrou bastante empenhado nessa atividade, e acredito que logo teremos comida o suficiente para reabastecer o navio pelo resto da viagem.

28 de Outubro

Não há no ocidente cidade que se equipare em beleza e sabedoria a Aratta. Hoje pude me encontrar com um dos nossos poucos conterrâneos nessa terra, o historiador cego Gilbert Bluestone, que me contou histórias incríveis sobre a Tribo de Sharyar e os povos que habitavam Jezirat mesmo antes de sua chegada. Porém, ele também me alertou dos perigos mortais que a cidade pode trazer para aqueles que se deixam deslumbrar por sua beleza e hospitalidade. O povo do Sultanato parece seguir um código sutil de conduta, escondendo suas reais intenções atrás de uma generosidade e educação inesperadas entre aqueles que recebem forasteiros. Todavia, tive a sorte de estabelecer um vínculo verdadeiro com alguns dos nativos, especialmente depois de salvar a filha de um pescador que havia se perdido na costa durante uma tempestade. Tal prestígio facilitou minhas audiências com o Sultão Behrouz, nas quais temos negociado nossas mercadorias por preciosos minérios e jóias, incluindo lustrosas pérolas azuis, que ficariam magníficas no pescoço de algumas damas abastadas de Windlan.

03 de Novembro

Um acontecimento terrível deixou toda a tripulação transtornada esta manhã. Nosso Comissário, Sr. Sharpwind,  foi encontrado morto dentro de um bordel no Bazar. Ao contrário de mim, Duncan jamais deu quaisquer ouvidos aos avisos do Dr. Bluestone, e agora está claro que o perigo contra o qual ele nos alertou é real. Não sabemos quem o executou, se foram Hassassin, espiões de Aurin ou algum outro inimigo de nossa nação, mas é evidente que o motivo da morte não foi nenhum outro senão eliminar a presença de Windlan em Aratta. Meus aliados na cidade desconfiam dos escravos elfos que chegam de Bergard, que aparentemente estão recebendo ajuda de Aurin em troca de serviços para o Imperador. Preciso retornar para Ravenest imediatamente, e passar essas informações á Coroa. Partiremos ao amanhecer.

11 de Novembro

Eu falhei. Esta expedição foi um desastre. Estou náufrago em uma ilha no noroeste de Jezirat, depois de ficar á deriva por dois dias, sem saber que destino levou minha filha Angelica e minha tripulação. Poucos dias após deixarmos Aratta, fomos interceptados pelos sanguinários Piratas de Iblis, cães miseráveis que se escondem nas ilhas mais ao sul. Eles nos atacaram em meio a uma tempestade, e mais de um marinheiro relatou ter ouvido cânticos profanos minutos antes de abrirmos fogo. Não sei que tipo de feitiçaria utilizaram, mas o fato é que navegavam tranquilamente pela tormenta enquanto éramos açoitados pelas ondas. Mesmo em desvantagem, lutamos bravamente, até que nossa fragata foi tragada para o fundo do oceano. Penso ter visto uma ilha enquanto lutava no convés, embora horas antes não houvesse qualquer sinal de terra nas proximidades. Mas se ela estava mesmo lá, então talvez alguém tenha conseguido se salvar. Não posso descansar enquanto não encontrá-la.