Criaturas de Marais quarta-feira, dez 31 2014 

Lapin

Ele atirou Lapin direto nos espinheiros. Mas Lapin não teve um arranhão, não ele. Ele se contorceu fundo dentro dos espinheiros onde Bouki não poderia pegá-lo, e gargalhou.

(Lapin and the Little Tar Man)

Os espíritos trapaceiros conhecidos pelos Levee como Lapin possuem diversos outros nomes em Marais. Chamadas pelos colonos de Coelhos Brer e pelos indígenas de Nanabozho, essas fadas são parentes de outros seres de Faerie que protagonizam histórias cômicas, nas quais sempre enganam alguém como forma de puni-los por sua ganância ou apenas pela diversão proporcionada. Os Lapin possuem a forma de coelhos humanoides, de corpo alto e esguio. Alguns se vestem em velhos trajes de colonos, mas a maioria se contenta apenas com suas próprias pelagens de coloração acinzentada. Eles sempre preferem usar a esperteza no lugar da força física, contando com uma variedade de poderes mágicos para realizar seus esquemas, que vão de mudar a própria aparência até sugestionar outras mentes com um simples sussurro. Sendo literalmente embusteiros por essência, os Lapin são tratados com cautela por aqueles que conhecem sua natureza. Mais de uma comunidade que invocou a ajuda de uma dessas criaturas acabou sendo por sua vez trapaceada ao ter seu pedido atendido. Os Coelhos Brer são especialistas em jogos de palavras e não respeitam qualquer tipo de autoridade, tendo especial prazer em enganar aqueles que se mostram arrogantes ou tentam levar a melhor sobre eles. Durante o início da colonização de Marais, um grupo de caçadores de escravos que tentou capturar um Lapin especialmente poderoso acabou transformada em uma matilha de gnolls selvagens, e os descendentes da mesma até hoje buscam vingança por terem caído no ardil de um Compadre Coelho.

Macaco-Gambá

Eles são onívoros, mas podem pegar um porco e fazê-lo em pedaços. Pioneiros os chamavam de macacos-gambá porque diziam que esses animais míticos pareciam com orangotangos e fediam a ovos podres e metano […]

(Shelby Webb – The legend of skunk ape: A pungent figure in Florida folklore)

Os pântanos sombrios do Grande Bayou são conhecidos por abrigar toda sorte de criatura monstruosa: dos temidos Loup-Garou aos massivos Guardiões do Verde. Dentre esses habitantes, os Macacos-Gambá estão entre os mais furtivos e misteriosos. De corpo grande e desengonçado, esses humanoides simiescos são cobertos por uma pelagem espessa, de cor negra, cinzenta ou castanho-avermelhada, sempre com algumas listras de cor mais clara nas costas. Seus braços são mais compridos que as pernas, e todos os membros terminam em patas largas com dedos achatados ligados por membranas, que permitem que a criatura escale árvores com desenvoltura e nade em águas profundas. O rosto é como uma máscara medonha, com dentes estreitos e afiados e olhos que brilham na escuridão. Macacos-gambá se comunicam usando sons agudos e ásperos que lembram vagamente um pássaro noturno. Os Levee do Bayou possuem diversas histórias sobre a origem desses monstros, a maioria envolvendo maldições de bruxas. Nunca aparecendo em grande número, eles costumam ser avistados vagando pela margem de alagadiços rasos, onde caçam seus alimentos favoritos: guaxinins e ovos de crocodilo. Embora tenham tendência a fugir de estranhos, os Macacos-Gambá são curiosos a respeito de assentamentos humanos, e algumas vezes se aproximam para investigar vilarejos Levee ou acampamentos de viajantes. Para evitar que as criaturas ataquem e devorem seus animais de criação, os habitantes do Bayou deixam pequenas oferendas de feijões-verdes, uma comida bastante apreciada por elas, nos limites de suas propriedades.

Horror do Bayou

Havia lendas de um lago oculto nunca vislumbrado por olhos mortais, no qual habitava uma imensa, disforme coisa branca poliposa com olhos luminosos; e os posseiros cochichavam sobre demônios com asas de morcego voando de um lado a outro, fora das cavernas, adentrando o solo, para venerá-la à meia-noite.

(H.P.Lovecraft – O Chamado de Cthulhu)

O Grande Bayou de Marais é um lugar que chama a atenção de estudiosos das ciências arcanas pela grande variedade de magia antiga que concentra, o que leva a várias especulações sobre seu passado. Porém, algumas das coisas que se escondem na extensa região pantanosa ficariam melhores se mantidas afastadas do conhecimento humano. A influência dos Horrores Antigos na área é algo que um pesquisador experiente pode facilmente identificar pela presença de cultos secretos dedicados a essas entidades e algumas das histórias contadas pelos nativos. Mesmo assim, pouco se sabe sobre as criaturas conhecidas como Horrores do Bayou, descritas pelos poucos que as viram como uma massa monstruosa de carne branca e gelatinosa, com tentáculos que se sacodem como serpentes e olhos que brilham como fogo-fátuo. Muitas das testemunhas desses encontros são cultistas insanos capturados, o que deixa maiores informações sobre a coisa pouco confiáveis. Mas isso apenas aumenta a curiosidade das expedições científicas, e a teoria mais corrente é de que os monstros sejam um estágio embrionário de algum outro Horror que há muito tempo deixou o planeta ou ainda se encontra adormecido nas entranhas mais profundas do pântano. A explicação para essa hipótese é que os Horrores do Bayou parecem ser cuidados com um zelo especial pelos cultistas e por outras criaturas abomináveis que habitam a região, como os alados Noitestripas. A dedicação religiosa que esses Horrores recebem inclui não apenas a proteção dos lagos em que vivem como também presentes, em geral vítimas sequestradas pelos cultos para sacrifício.

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Galeria – Esquadra Seláquia quarta-feira, dez 3 2014 

 

Em qualquer cidade portuária é possível encontrar alguém que tenha algo a mencionar sobre os ‘demônios do mar’ que navegam sob a bandeira de Aurin. De aparência considerada assustadora para os padrões civilizados, a Esquadra Seláquia é fruto do contato de corsários de sangue quente do Império Aurinês com diversas culturas de colônias tropicais. Assimilando em suas tripulações os aspectos mais visualmente chamativos dos povos com quem se relacionam, os Seláquios são vistos como delinquentes selvagens pelas outras esquadras, mas na verdade esses navegantes possuem um espírito livre e aventureiro, e sentem uma forte aversão em se ajustar à sociedade tradicional. Seus corpos são cobertos por tatuagens, escarificações e todo tipo de modificação corporal, e suas roupas adornadas por adereços tribais. Os Seláquios possuem uma preferência notável por armas de aspecto rústico, com entalhes de madeira e partes de osso. Suas características lâminas serrilhadas podem ser fabricadas de forma artificial, mas as mais tradicionais são revestidas com dentes de tubarão, o que deu origem ao nome da Esquadra.

Seus encontros com civilizações indígenas do Novo Mundo, do Continente Negro e de arquipélagos distantes, durante viagens com propósito original de comércio ou pirataria, acabaram por mostrá-los outras maneiras de enxergar a vida, dando a eles meios de romper com as amarras de que estavam fugindo ao ingressar no mar. Embora os líderes nativos desses locais nem sempre vejam os Seláquios com bons olhos, pela maneira algumas vezes superficial como absorvem seus traços culturais, eles os toleram pelo respeito que demonstram por seus costumes. Os capitães da Esquadra costumam de forma geral ter uma relação mais próxima com as populações das colônias aurinesas devido a essa abertura pessoal, permitindo que realizem cerimônias religiosas em seus portos e dando maior facilidade para nativos se integrarem em suas próprias tripulações. Embora a presença de não-aurineses em navios de corsários não seja incomum, a Esquadra Seláquia possui as tripulações mais diversificadas, e com maiores chances de um negro, indígena ou mestiço assumir uma posição de comando, podendo até mesmo vir a se tornar capitão de seu próprio navio.

O Império Aurinês sabe do valor da Esquadra para estabelecer acordos com as populações nativas ou obter informações sobre os territórios em que elas vivem. Por sua vez Chantal N’Diaye, a líder da esquadra, sabe que esse interesse raramente traz benefícios para seus aliados nativos, mas reconhece que sua frota é pequena e espalhada demais para se colocar contra o Imperador. Além disso, muitos dos capitães ainda possuem fortes raízes com Aurin e desejam provar seu valor à nação com o modo de vida que escolheram. Mesmo assim, ainda que o Império faça o possível para manter a lealdade dos Seláquios, é impossível que não ocorram desavenças entre eles e outros colonizadores da nação, geralmente envolvendo acordos de terras e o tratamento aos nativos. Ainda que seja uma das menores esquadras, os Seláquios são uma força reconhecidamente temida quando provocada. O conhecimento que possuem dos terrenos selvagens e as centenas de guerreiros tribais dispostos a lutar em seu favor fazem com que seus portos sejam lugares temidos e evitados. Cercadas por estacas na areia ostentando ossadas de feras marinhas, as bases isoladas da Esquadra Seláquia deixam claro que o destemor pela morte e a violência sangrenta dos ‘demônios do mar’ podem ser tão reais quanto aparentam caso sejam necessários.