Se estendendo pelos morros verdejantes de uma baía tropical, Porto Negro é a maior cidade de Aurin no Novo Mundo. Antigamente uma  colônia extrativista de Windlan, ela foi tomada pela Esquadra Delfina após uma astuta batalha que envolveu tribos indígenas aliadas e uma revolta de escravos. Habitada por diferentes culturas e cercada por mangues e florestas, ela costuma ser uma parada obrigatória para todos aqueles que navegam em busca de riquezas nos mares ocidentais.

Porto Negro é naturalmente uma rota aurinesa, mas mercadores de nações menores podem aportar se concordarem em pagar as altas taxas cobradas pela Esquadra Delfina. Muitos não pensam duas vezes, uma vez que a cidade negocia as lucrativas mercadorias de Ararauma e fica próxima aos Mares do Sul e às Ilhas Marlim, lugares sem muita jurisdição das Marinhas dos impérios.

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A Feira

O forte aroma de comida temperada precede as fileiras de barracas de madeira e palha que ocupam as ruas pavimentadas de pedra da Feira de Porto Negro. No início do domínio aurinês, grandes plantações foram cultivadas pelos escravos libertados. A produção desde então é comercializada em um mercado a céu aberto, que atraiu com rapidez outros tipos de negócio da região. Caravanas dos sertões interioranos trazem frutas e especiarias nos cestos de palha de seus jumentos, além de curiosos artefatos em forma de pássaro. Grupos pacíficos de indígenas negociam animais exóticos, sendo as aves de plumagem colorida os que mais atraem a atenção dos visitantes. Durante todo o ano é possível ver famílias de ciganos dispostos a ganhar dinheiro com seus cavalos ou com seus sortilégios. Ao redor da feira, casas coloniais abrigam pequenas tavernas, barbearias, bordéis e outros estabelecimentos que aproveitam o movimento constante. Em meio a tantos povos diferentes, os negros iroqueses são a alma do lugar, com suas mulheres formosas trazendo tabuleiros de quitutes sobre a cabeça e seus ágeis rapazes dançando e lutando nas rodas de capoeira.

Cais do Tumbeiro

Recebendo seu nome dos navios de escravos que o frequentavam antes da ocupação aurinesa, esse porto abriga agora as caravelas e galeões da Esquadra Delfim. Seus ancoradouros de pedra decorados com palmeiras são bem fortificados e guarnecidos com fileiras de canhões, uma proteção necessária contra as investidas de navios piratas ou de nações inimigas. Dentro das muralhas, os capitães aproveitam o tempo livre para contar histórias e se divertir nas casas noturnas, enquanto aventureiros, retirantes, vagabundos e fugitivos fazem fila para se alistarem como grumetes nas tripulações. Algumas vezes esse recrutamento não é formal, como no caso recente da capitã Clarisse Morgran, ainda muito comentado nas mesas de jogo rançosas a peixe. Filha de um Almirante de Esquadra com uma índia canibal, a menina reuniu com a ajuda de seu pajem cigano um pequeno grupo de ex-escravos e desertores, os fazendo roubar uma das mais rápidas caravelas de seu pai. Não se sabe ao certo o destino da caravela, mas o que todos na cidade concordam é que Clarisse não seria o tipo de pirata que se contenta com uma vida de pequenas aventuras e pouca fama.

O Jardim Botânico

A quietude tranquilizante desse jardim tropical só deixa escapar o canto ocasional dos pássaros, o farfalhar das copas das árvores e o  ruído dos riachos que cruzam sua extensão. Boa parte do território de Porto Negro ainda é selvagem, e algumas ruas são na verdade estreitas trilhas no meio do mato, algumas delas passando por dentro ou por cima do Jardim. Abrigando inúmeras espécies vegetais em seus canteiros, estufas e espelhos d’água, o lugar é um paraíso para os naturalistas que vem até Ararauma para estudar sua flora exuberante. Vítima frequente de tentativas de depredação ou de roubo de exemplares raros, a área é protegida por Eduardo Flores, um estudioso dotado de habilidades xamânicas relacionadas ao Verde. Ele também é responsável por controlar as plantas perigosas que são trazidas até o local para estudos, como flores alucinógenas e vinhas carnívoras. Seu ajudante, um Curupira disfarçado, não pensa duas vezes antes de punir de forma violenta aqueles que perturbam a paz nesse santuário urbano.

Palácio de Duclerc

Acima de um dos maiores morros de Porto Negro fica o casarão colonial que abriga a nobre e rica família Duguay-Trouin, governante da cidade. Toda decorada com azulejos azuis e detalhes brancos em alto-relevo, a mansão tem um enorme jardim onde árvores tropicais dividem espaço com estátuas clássicas. Nas muitas varandas e salões que percorrem a construção, a classe alta da cidade desfruta grande parte de seu tempo ocioso acomodada nos delicados móveis de madeira, enquanto bebe aguardente ou escuta a música tocada por seus membros mais talentosos. À parte dessa atmosfera de flertes e frivolidades, o Marquês de Duguay-Trouin se reúne constantemente com seus homens de confiança para definir os rumos da colonização em Ararauma e planejar estratégias para resistir às investidas crescentes de Windlan na costa.

Mesmo parecendo vulnerável, o Palácio de Duclerc resistiu com facilidade a todas as tentativas de ataque que já sofreu por parte de esquadras windlesas ou tripulações de saqueadores. Alguns negros iroqueses dizem que o local é protegido por um antigo santuário indígena dedicado à Mãe d’Água, situado no mesmo lugar onde o casarão foi erguido.