Huakan segunda-feira, abr 9 2012 

A nação de Huakan compreende toda a área continental da região de Andina.

Sua zona costeira é ocupada pela Selva dos Sussurros, uma floresta tropical habitada por diversas tribos indígenas.

As Montanhas do Mar de Bruma se estendem pela maior parte do território, e nelas estão os domínios do Povo do Sol, que tem como centro de seu Reinado a cidade de Chakana, capital de Huakan.

Além das montanhas está a Estrada do Céu, um deserto isolado famoso pelos enormes geoglifos e pelos estranhos fenômenos que cercam a região de mistérios.

(Clique no nome da região para ouvir a trilha sonora correspondente)

Selva dos Sussurros

Do sombrio litoral até os pés das montanhas se estende esta mata tropical, lar dos indígenas que se dividem entre as Tribos Turquesa e Obsidiana. Os primeiros são canibais selvagens e fanáticos, que alegam ter uma vingança a realizar contra aqueles que roubaram o “olho esquerdo da Morte”. Os últimos são guerreiros fortes e pacíficos, para quem folhas de coca são objetos sagrados e pedras preciosas meras mercadorias a serem negociadas com estrangeiros. Ambas são adeptas de complexas práticas xamanistas, expressas no elaborado artesanato e nos ritos realizados em clareiras e cemitérios. Nas áreas mais profundas da floresta, plantas alucinógenas  crescem em meio ao solo pantanoso, onde a camada do Aether chamada de O Verde possui grande força. Suas raízes e folhas são muito utilizadas pelos Krokan, uma exótica tribo de homens-pássaro que habita antigas ruínas escondidas na vegetação.

Nas áreas mais afastadas do litoral vivem comunidades de colonos aurineses, descendentes da esquadra de Guthierre Malter. Estes vilarejos contam com a ajuda de navios mercantes, que trafegam nas rotas marítimas de Araruma. Piratas windleses e cardumes de sahuagin são ameaça frequente nessas águas. Além disso, avistamentos de navios fantasmas são comuns, e mais de uma embarcação já desapareceu sem deixar pistas. De fato, todo o litoral de Huakan parece envolto em uma aura fantasmagórica, que se reflete até mesmo na vida marinha da região. Muitos são os motivos atribuídos a estas assombrações, do misterioso sumiço do navio de Malter aos sinistros ritos necromânticos praticados pelos nativos.

Montanhas do Mar de Bruma

Um verdadeiro oceano de névoa pode ser visto entre as montanhas que formam a maior cordilheira do continente de Gasparia. Suas encostas, vales e florestas são governadas pelo nobre Povo do Sol, uma etnia guerreira e portadora de profundo conhecimento místico sobre os Aeons. Santuários, pirâmides, escadarias e fazendas de lhamas se juntam à paisagem, protegidas por golens de pedra chamados Pururaucas, que passam a maior parte do tempo inativos e podem ser despertados apenas por sacerdotes. Os quatro maiores dentre estes colossos estão submersos em um grande lago, de onde sustentam Chakana, a capital do Povo do Sol. Situada em um dos pontos mais altos da cordilheira, a cidade parece flutuar sobre a neblina ao amanhecer e anoitecer. Os Amaru, ou dragões das nuvens, aproveitam estes momentos para deixar suas casas nas profundezas das águas e mergulhar na névoa. Recentemente, uma visão mais comum no céu é a dos balões e zepelins de Windlan, que tentam estabelecer uma aliança com o Povo do Sol para ter acesso a suas abundantes minas de ouro e prata.

Estrada do Céu

Esta paisagem desolada de rochas vermelhas e planícies de sal é um dos locais mais misteriosos de toda Keleb. Gigantescos desenhos esculpidos no solo ou em rochas retratam pássaros, aranhas ou estranhas figuras semelhantes a humanoides. Considerado sagrado pelo Povo do Sol, o deserto da Estrada do Céu é visitado apenas durante cerimônias especiais, nas quais os indígenas meditam e agradecem aos espíritos ancestrais que a muitas eras os visitaram vindos das estrelas. Estes rituais são realizados em ruínas circulares, que parecem guardar complexos subterrâneos ainda inexplorados. Estranhos eventos meteorológicos, como tempestades de raios cósmicos e  “cabelos-de-anjo”, são registrados com frequência pelos poucos aviadores que se aventuram no local. As teorias de que a Estrada do Céu estaria relacionada a Theocratia e de que seria uma espécie de porto dimensional atraem estudiosos de Aurin e Windlan, assim como cientistas da Ordem da Meia-Noite.

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Introdução – Huakan quarta-feira, abr 4 2012 

O som de uma flauta emerge nas sombras. Rostos de barro balançam nos galhos ao vento. Aranhas marrons se esgueiram tímidas pela ramagem da antiga ruína. É noite na Pedra da Caveira, e o Capitão Gonzalez não está sozinho.  O olhar entorpecido dos Krokan paira sobre ele. Atentos e sossegados, os homens-pássaro da Selva dos Sussurros se mesclam com a fumaça inebriante de ervas alucinógenas. Um deles traz em seu longo bico meia-dúzia de cachimbos acesos. Parece ser o mais velho, trajado com farrapos vermelhos e inúmeros amuletos de contas. Ele está entretido com pedaços de cristal, atirados fortuitamente sobre a relva. No escuro, os pequenos fragmentos parecem estrelas a dançar, guiadas pelo transe do xamã que se move ao som penetrante da música. Um outro pássaro se aproxima do velho pirata, parecendo emergir da folhagem com sua plumagem esverdeada. Ele tem em suas mãos um prato, feito a partir de uma grande concha. Uma infusão preenche o recipiente, seu cheiro é doce e penetrante. O líquido é oferecido ao capitão, que o sorve de uma só vez com uma careta de dor. Ele pede perdão pela heresia e mergulha nas profundezas da percepção.

O som de uma flauta ecoa nas sombras. Rostos de barro esvoaçam no ar turvo. Multidões de seres rastejantes se movem pelas ramagens da antiga ruína. É noite na Selva dos Sussurros, e o Capitão Gonzalez não está sozinho. O olhar distante de suas memórias paira sobre ele. Difusas e efêmeras, as lembranças de Aurin se mesclam ao painel cintilante de formas e cores. Uma delas traz em suas mãos um cálice santo. Rodeada por um halo de luz, a sacerdotisa de cabelos castanhos só pode ser um anjo enviado para auxiliar em sua missão. Pequenas flores flutuam no conteúdo esverdeado do cálice. Braços de musgo e vinhas esborram de seu interior em uma cascata vegetal, preenchendo a Rocha da Caveira até transformá-la em um lago pantanoso. Na superfície escura do lago, o velho pirata vê seu reflexo como um cadáver murcho e coberto de plantas. Seus cabelos e barba se tornam um líquen esverdeado, que escorre para se juntar ao pântano. Seus olhos desabrocham em flores compostas, o perfume é doce e penetrante. Uma voz chama pelo capitão nas profundezas do charco. Ele infla seus pulmões cobertos de musgo e mergulha na escuridão.

O som de uma flauta ressoa nas sombras. Rostos de barro cantam em uma ciranda espectral. Seres rastejantes se estendem pelas ramagens até os céus da antiga ruína. É noite em Urin Pacha, e o Capitão Gonzalez não está sozinho. O olhar vago dos mortos paira sobre ele. Lúgubres e fantasmagóricos, os antigos conquistadores de Andina se mesclam ao círculo de névoa leitosa. Um deles traz no peito uma gema turquesa. Ele gargalha em seu empertigado traje de navegador, encobrindo os gritos de inocentes assassinados. Dentro da jóia, um caleidoscópio brilhante se alastra como um túnel. Para além dele se estendem as profundezas de um mar escuro, onde fogos-fátuos bailam como medusas. Uma grande serpente surge do leito nebuloso e circunda o velho pirata. Seu corpo escamoso dança em um emaranhado translúcido. Ela estende a cabeça caolha e exala seu hálito, o perfume é doce e penetrante. Adentrando a garganta da cobra, o capitão percorre uma longa caverna submersa. O corredor de águas cinzentas desemboca em um grande salão, revelando a carcaça de um antigo navio. Em sua cabine fulgura uma luz turquesa, que diminui seu brilho até se tornar a lua minguante sobre a Pedra da Caveira.

Prostrado sobre a grama, o Capitão Gonzalez murmura uma prece, envolto pela algazarra dos homens-pássaro extasiados.