Ao se navegar até a foz do Rio Lafitte, é possível ver de longe a graciosa Port Vert à margem das águas, na fronteira entre o oceano e o Grande Bayou. Seus edifícios elegantes de construção aurinesa e as caóticas favelas costeiras já foram muitas vezes castigados por tempestades e incêndios, mas nenhuma catástrofe é capaz de silenciar as canções de piratas, os bailes de máscaras e as fanfarras de rua que tornam essa cidade a mais musical e animada colônia de Aurin.

Port Vert é uma rota defendida ferozmente pelas esquadras Seláquia e Delfina contra incursões de Windlan. Ela faz contato principalmente com as Ilhas Marlim ao sul e com a própria Aurin Continental no leste distante. Navios vindos de nações aliadas de Aurin também a utilizam, vindos especialmente de Jazirat ou do Continente Negro.

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Bairro Aurinês

Com suas belas varandas e galerias de ferro moldado, o Bairro Aurinês reluz durante a noite com as luzes de seus estabelecimentos refletindo nas ruas úmidas de chuva. Após ter sido quase inteiramente destruído por um incêndio incontrolável de origem desconhecida, esse distrito que é o mais antigo de Port Vert foi reconstruído para resistir ‘até mesmo ao fogo do inferno’, como dizem os responsáveis pela reforma. Tanto zelo é justificado pelo Bairro Aurinês ser o centro da vida comercial, social e artística da cidade, com seus mercados ao ar livre, tavernas e salões de música. Artistas de toda a colônia tentam ganhar a vida nas praças, estabelecimentos ou nas próprias ruas, tocando canções que alternam entre o alegre e o melancólico. O espírito requintado do Bairro pode ainda ser visto nas delicadas perfumarias, cabarets e boutiques que surgem a cada rua, contrastando com a culinária de comida temperada e forte baseada em pratos de carnes e frutos do mar como a jambalaya. Para os visitantes de Port Vert no entanto, nada chama mais a atenção nesse distrito do que as Lojas Vodu com suas fachadas coloridas, oferecendo feitiços, poções e todo tipo de amuleto. Embora algumas delas sejam obra de charlatões, muitas são administradas por doutores feiticeiros com real poder, que não cobram barato pelos seus serviços. Nem todos os trabalhos são pagos em ouro no entanto, e é de conhecimento popular que muitos que tentaram quebrar seus acordos com os mestres do vodu acabaram como empregados zumbis em seus estabelecimentos.

Ancoradouro Encardido

Port Vert recebe diariamente mercadorias das Ilhas Marlim e outros lugares do Novo Mundo, as enviando para Aurin sempre que possível. Essa movimentação constante transformou o porto da cidade em um distrito vasto e caótico, que ocupa parte do litoral e um trecho do Rio Lafitte. A influência de engenheiros goblins e jinn das Ilhas Campeche trouxe ao Ancoradouro armazéns e estaleiros mecanizados, que cobrem o céu de fuligem e mancham a água com óleo e substâncias alquímicas. Apesar dos navios de corsários com suas velas chamativas serem uma presença comum, o tráfego mais constante é o dos barcos à vapor que vem e vão pelo Lafitte girando suas rodas de pá na água. Algumas dessas embarcações são luxuosos salões de festa flutuantes, ficando a maior parte do tempo afastadas da costa para evitar a poluição. Outras são veículos de transporte e carga dos Levee, restaurantes de comida típica do Bayou ou mesmo esconderijos de mafiosos aurineses, que se aproveitam da discrição e mobilidade para realizar todo tipo de contrabando. Rumores locais dizem que alguns dos barcos servem até mesmo de covil para vampiros e outros seres, que esperam pela escuridão da noite para deixar seus abrigos e sair à caça de marinheiros e passantes distraídos.

Praça Fifolet

A maior praça de Port Vert não chama grande atenção durante o dia, com suas vitrines de doces e bandeirolas tremulando preguiçosamente entre as árvores. É durante a noite que surge a paisagem fantasmagórica iluminada por centenas de lampiões, a hora em que as feiras de diversões iniciam suas atividades até o raiar do dia. Muitos dos negócios locais são administrados pelos Levee, mas a presença de acampamentos ciganos é comum. Suas tendas coloridas fazem companhia aos etéreos carrosséis e às pistas de montanha-russa montadas sobre estruturas duvidosas de madeira. Pequenos circos e grupos de teatro itinerantes são uma presença constante, exibindo espetáculos que vão do encantador ao monstruoso. O mais famoso deles, a Feira da Lua Sorridente, surge sempre durante a lua minguante e vai embora durante a crescente, dando origem à lenda de que muitos de seus membros são na verdade lobisomens. Seu líder, o mágico Deimos, é um homem melancólico e azarado, mas de grande conhecimento arcano. É dito também que existem diabos disfarçados espreitando pela Praça, em busca de almas aflitas ou descuidadas o bastante para realizar algum contrato ou aposta. Mas talvez nenhum rumor seja tão terrível quanto o que menciona que algumas das barracas comercializam secretamente artefatos ligados aos Horrores Antigos, conseguidos nas profundezas do Grande Bayou. No fim, todas as histórias e assombrações que cercam a Fifolet apenas conseguem atrair mais visitantes curiosos, em busca da magia secreta que a cada pôr-do-sol surge de formas imprevisíveis.

Mansão Chandelier

Originalmente construída pela rica família Spinosa, a primeira a colonizar Marais, essa enorme e imponente mansão de pedra e mármore foi assumida pelos Chandelier quando os últimos passaram a governar Port Vert. Os bosques escuros que a rodeiam e as pesadas portas de madeira adornadas com imagens em alto-relevo dão uma aura sinistra ao lugar, bastante adequada para os aposentos de uma família marcada pela influência de antigos diabos. Nos corredores, castiçais iluminam grandes pinturas com imagens sombrias, enquanto cortinas de seda fina insinuam as atividades lascivas dos residentes. Tendo como patrono Mefisto, o Príncipe das Mentiras, muitos dos Chandelier são tieflings, vivendo uma vida de intriga e luxo entre os refinados salões de máscaras e as bibliotecas de conhecimento arcano, servidos por diabretes e outros infernais menores. Maxime Chandelier, o patriarca e também governante da cidade, é um mercador de grande fortuna, que abraça as inovações tecnológicas do ferro e vapor ao mesmo tempo em que mantém hábitos arcaicos, como um lorde em sua propriedade. Generoso com seus amigos e maliciosamente cruel com seus inimigos, ele é conhecido pelo modo abusivo e autoritário com que trata seus empregados, especialmente os que já tiveram origem escrava. Mesmo não existindo mais escravidão em Port Vert, os Chandelier estendem esse pensamento para a cidade através de decretos e códigos que restringem os direitos dos cidadãos de ‘segunda classe’. Alguns dos tieflings mais jovens se cansam da atmosfera falsa e opressiva da família e deixam sua proteção para defender as próprias ideias e ambições. Outros abraçam seu legado e conquistam espaço nos jogos de poder que tomam lugar nas galerias subterrâneas da Mansão, negociando poder e influência com senhores infernais e usando suas próprias almas como garantia.