Lapin

Ele atirou Lapin direto nos espinheiros. Mas Lapin não teve um arranhão, não ele. Ele se contorceu fundo dentro dos espinheiros onde Bouki não poderia pegá-lo, e gargalhou.

(Lapin and the Little Tar Man)

Os espíritos trapaceiros conhecidos pelos Levee como Lapin possuem diversos outros nomes em Marais. Chamadas pelos colonos de Coelhos Brer e pelos indígenas de Nanabozho, essas fadas são parentes de outros seres de Faerie que protagonizam histórias cômicas, nas quais sempre enganam alguém como forma de puni-los por sua ganância ou apenas pela diversão proporcionada. Os Lapin possuem a forma de coelhos humanoides, de corpo alto e esguio. Alguns se vestem em velhos trajes de colonos, mas a maioria se contenta apenas com suas próprias pelagens de coloração acinzentada. Eles sempre preferem usar a esperteza no lugar da força física, contando com uma variedade de poderes mágicos para realizar seus esquemas, que vão de mudar a própria aparência até sugestionar outras mentes com um simples sussurro. Sendo literalmente embusteiros por essência, os Lapin são tratados com cautela por aqueles que conhecem sua natureza. Mais de uma comunidade que invocou a ajuda de uma dessas criaturas acabou sendo por sua vez trapaceada ao ter seu pedido atendido. Os Coelhos Brer são especialistas em jogos de palavras e não respeitam qualquer tipo de autoridade, tendo especial prazer em enganar aqueles que se mostram arrogantes ou tentam levar a melhor sobre eles. Durante o início da colonização de Marais, um grupo de caçadores de escravos que tentou capturar um Lapin especialmente poderoso acabou transformada em uma matilha de gnolls selvagens, e os descendentes da mesma até hoje buscam vingança por terem caído no ardil de um Compadre Coelho.

Macaco-Gambá

Eles são onívoros, mas podem pegar um porco e fazê-lo em pedaços. Pioneiros os chamavam de macacos-gambá porque diziam que esses animais míticos pareciam com orangotangos e fediam a ovos podres e metano […]

(Shelby Webb – The legend of skunk ape: A pungent figure in Florida folklore)

Os pântanos sombrios do Grande Bayou são conhecidos por abrigar toda sorte de criatura monstruosa: dos temidos Loup-Garou aos massivos Guardiões do Verde. Dentre esses habitantes, os Macacos-Gambá estão entre os mais furtivos e misteriosos. De corpo grande e desengonçado, esses humanoides simiescos são cobertos por uma pelagem espessa, de cor negra, cinzenta ou castanho-avermelhada, sempre com algumas listras de cor mais clara nas costas. Seus braços são mais compridos que as pernas, e todos os membros terminam em patas largas com dedos achatados ligados por membranas, que permitem que a criatura escale árvores com desenvoltura e nade em águas profundas. O rosto é como uma máscara medonha, com dentes estreitos e afiados e olhos que brilham na escuridão. Macacos-gambá se comunicam usando sons agudos e ásperos que lembram vagamente um pássaro noturno. Os Levee do Bayou possuem diversas histórias sobre a origem desses monstros, a maioria envolvendo maldições de bruxas. Nunca aparecendo em grande número, eles costumam ser avistados vagando pela margem de alagadiços rasos, onde caçam seus alimentos favoritos: guaxinins e ovos de crocodilo. Embora tenham tendência a fugir de estranhos, os Macacos-Gambá são curiosos a respeito de assentamentos humanos, e algumas vezes se aproximam para investigar vilarejos Levee ou acampamentos de viajantes. Para evitar que as criaturas ataquem e devorem seus animais de criação, os habitantes do Bayou deixam pequenas oferendas de feijões-verdes, uma comida bastante apreciada por elas, nos limites de suas propriedades.

Horror do Bayou

Havia lendas de um lago oculto nunca vislumbrado por olhos mortais, no qual habitava uma imensa, disforme coisa branca poliposa com olhos luminosos; e os posseiros cochichavam sobre demônios com asas de morcego voando de um lado a outro, fora das cavernas, adentrando o solo, para venerá-la à meia-noite.

(H.P.Lovecraft – O Chamado de Cthulhu)

O Grande Bayou de Marais é um lugar que chama a atenção de estudiosos das ciências arcanas pela grande variedade de magia antiga que concentra, o que leva a várias especulações sobre seu passado. Porém, algumas das coisas que se escondem na extensa região pantanosa ficariam melhores se mantidas afastadas do conhecimento humano. A influência dos Horrores Antigos na área é algo que um pesquisador experiente pode facilmente identificar pela presença de cultos secretos dedicados a essas entidades e algumas das histórias contadas pelos nativos. Mesmo assim, pouco se sabe sobre as criaturas conhecidas como Horrores do Bayou, descritas pelos poucos que as viram como uma massa monstruosa de carne branca e gelatinosa, com tentáculos que se sacodem como serpentes e olhos que brilham como fogo-fátuo. Muitas das testemunhas desses encontros são cultistas insanos capturados, o que deixa maiores informações sobre a coisa pouco confiáveis. Mas isso apenas aumenta a curiosidade das expedições científicas, e a teoria mais corrente é de que os monstros sejam um estágio embrionário de algum outro Horror que há muito tempo deixou o planeta ou ainda se encontra adormecido nas entranhas mais profundas do pântano. A explicação para essa hipótese é que os Horrores do Bayou parecem ser cuidados com um zelo especial pelos cultistas e por outras criaturas abomináveis que habitam a região, como os alados Noitestripas. A dedicação religiosa que esses Horrores recebem inclui não apenas a proteção dos lagos em que vivem como também presentes, em geral vítimas sequestradas pelos cultos para sacrifício.

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