Pukjinkwest

Naquela noite, Pukjinskwest sonhou com ovos de tartaruga, como de costume. Ela deitou em sua cama forrada com ossos de sereia, rosnando em deleite. Então, ela acordou e caminhou para o mar, com seus olhos iluminados pela lua brilhando à sua frente como guia.

(Howard Norman – How Glooskap Outwits The Ice Giants and Other Tales of the Maritime Indians)

Temidas pelos habitantes da Costa de Brimmouth, essas criaturas amarguradas aparecem como uma bruxa de cabelos de musgo, com olhos que emitem um intenso brilho pálido como o luar. Habitando as profundezas de pântanos salgados, as Pukjinkwest vagam por seus territórios na forma de um predador, como uma marta pescadora ou um puma. Nesse disfarce atacam passantes desavisados, preferindo crianças. Elas também são conhecidas por atrair vítimas até seus lares, fingindo um choro pesaroso que ecoa em seus domínios lamacentos. Seus poderes mágicos vão além de encantos mentais, incluindo o domínio sobre as feras do pântano e a capacidade de se transformar em uma nuvem de mosquitos. Rejeitadas pelas criaturas do mar aberto, as Pukjinkwest são sempre perturbadas por gaivotas, mesmo quando estão disfarçadas por magia. Parte dessa repulsa natural vem de sua dieta carnívora, que além de animais e humanos inclui sereias. Meninas de qualquer espécie capturadas por uma Pukjinkwest são às vezes criadas como suas próprias filhas, adquirindo poderes mágicos e um aspecto sobrenatural. Essas crias são muitas vezes parte de planos mesquinhos para tomar o controle de povoados e tribos, mas a solidão das bruxas pode fazer brotar um sentimento materno legítimo, ainda que deturpado.


Rebanho do Diabo

Their brands were still on fire and their hooves were made of steel 
Their horns were black and shiny and their hot breath he could feel 
A bolt of fear went through him as they thundered through the sky 
For he saw the Riders coming hard and he heard their mournful cry

(Stan Jones – Ghost Riders in the Sky)

Histórias de máquinas assombradas e misteriosas são mais comuns em Asabikesh do que em qualquer lugar de Keleb. Entre todas, a mais conhecida é a do Rebanho do Diabo, um estranho esquadrão de aeronaves negras que de tempos em tempos é avistado sobre o Deserto de Cobre. Feitas de metal negro e abastecidas por um combustível ígneo de vermelho intenso, elas cruzam os céus em grandes bandos, aparecendo sempre à noite ou em dias de tempestade, quando iluminam o céu escuro com seus faróis infernais. Sua forma precisa varia de acordo com a testemunha, e eles já foram descritos como locomotivas voadoras ou como grandes touros mecânicos. Ninguém sabe sua origem ou propósito, mas boatos se disseminam nas pequenas vilas mineradoras de que são conduzidos por fantasmas ou de que suas fornalhas são abastecidas com as almas dos condenados. Para os indígenas, essas criaturas são os arautos de um poderoso mau espírito trazido pela cobiça dos colonos, e o mero hálito de seus motores é capaz de transformar um homem em uma estátua inerte de prata.

Titã das Profundezas

Então, de repente, eu a vi. Com uma leve agitação para indicar sua subida à superfície, a coisa emergiu para fora das águas escuras. Enorme, polifêmica e repugnante, ela disparou como o monstro fabuloso de um pesadelo para o monólito, ao redor do qual arrojou seus gigantescos braços escamosos enquanto inclinava a cabeça horripilante, produzindo sons ritmados.

(H. P. Lovecraft – Dagon)

Insanamente enormes e capazes de viver durante eras, os Titãs das Profundezas são considerados por muitos como avatares de Dagon, o Horror Antigo que atormenta os oceanos. Apesar de serem fisicamente parecidos com os seres anfíbios parte homem e parte peixe que infestam as hostes de seu sombrio lorde aquático, possuindo um corpo bípede recoberto de escamas, esses colossos são indubitavelmente mais antigos e malignos, ostentando uma carapaça de corais e anêmonas que brilha com uma luz fluorescente. Os Titãs das Profundezas passam a maior parte de seu tempo em fossas submarinas e cavernas nunca tocadas pela luz do sol, caçando baleias e lulas gigantes nas águas profundas e entalhando espantosos monólitos de pedra. Eles emergem apenas quando os Cultos de Dagon realizam cerimônias e sacrifícios para invocá-los, ou quando grandes fenômenos naturais os impelem acima.

É difícil mensurar quanta destruição um desses monstros poderia causar em uma cidade costeira, mas felizmente eles costumam passar apenas algumas horas na superfície antes de retornar para seus lares sombrios. Acostumados a receber nada menos que devoção daqueles que vivem acima das ondas, eles enxergam as criaturas que respiram ar de forma não muito diferente como um mergulhador enxergaria um verme rastejando no leito marinho. Para os Titãs das Profundezas, os humanos não passam de meros objetos de curiosidade, indignos até mesmo de pena e úteis apenas como cobaias para os propósitos de seu senhor das águas obscuras.

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