I say we’re growing every day
Getting stronger in every way
I’ll take you to a place where we shall find our
Roots bloody roots

(Sepultura – Roots)

1.

O céu se tinge de vermelhos e rosas

Como os guarás que tornam ao ninho

Deixando o sol para morrer sozinho

Enquanto a noite começa sua prosa

Das águas escuras emergem assobios

Respondendo às cantigas dos pajés

Rodeiam ariranhas, urutus e jacarés

O reflexo da lua em sinuoso desvario

Sapos inchados dão saltos aos seus pés

Em um pote os pajés colocam cada um

E se cobrem com penas de gavião-inajé

Os maracás sussurram em suas cabaças

Vendo a tribo Aroui se cobrir de urucum

Para a pajelança que lhes dará boa caça

2.

Na alvorada as araras gritam inquietas

Com os homens espreitando a manhã

As pupilas dilatadas pelo veneno da rã

Enxergando o mundo além da coberta

Vêem os curupiras a guiar os rebanhos

De gordas queixadas de pelo arrepiado

E os botos com o seu couro emaciado

Se exibindo nos igarapés com assanho

Fogem as antas e mutuns assustados

Com a tribo encantada em seu encalço

O amuleto anfíbio nas costas pintado

Outro sol morre ao trazerem as presas

Para o banquete sobre o chão descalço

Onde homens e onças dividem a mesa

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