Devorador de Éter

A coisa se parecia com um inseto, de corpo segmentado e cristalino. Pernas compridas e delgadas golpeavam o ar em espasmos, e uma cauda de ferrão se enrodilhava sobre o ventre encouraçado. Na cabeça crustácea, dois longos apêndices purpúreos tentavam fracamente se movimentar, tostados pela pinça.

(Sob a Miragem Cerúlea)

Parasitas que se alimentam de energia arcana, os Devoradores de Éter são uma descoberta recente dos exploradores na Estrada do Céu. Eles tiram seu sustento da radiação trazida pelas chuvas de partículas cósmicas que caem sobre o deserto, mas qualquer objeto ou criatura mágica que se aproxime de um deles é atacado com avidez, tendo sua essência etérea drenada pelas longas “antenas” púrpuras da criatura. De origem ainda desconhecida, eles possuem um corpo insetóide que lembra algo entre uma lacraia e um bicho-pau, de cor azul brilhante e aspecto cristalino. Os estudiosos que já tiveram contato com estas criaturas teorizam que elas tenham chegado a Keleb no interior de meteoros, o que explicaria seu habitat nos arredores de estranhas crateras de cristal. Eles também habitam o interior de ruínas milenares, o que pode obter um paralelo entre as construções e a queda dos corpos celestes que abrigavam estas criaturas.

Avantesma dos Penhascos

Ela não terminou, pois uma coisa horrível aconteceu: uma criatura com metade do tamanho de um homem e com asas de couro e garras recurvas estava rastejando pela lateral da cestinha (…). A coisa tinha a cabeça chata, olhos esbugalhados e uma enorme boca de sapo, de onde saíam lufadas de um fedor insuportável.

(Phillip Pullman – A Bússola de Ouro)

Estas criaturas carniceiras habitam os penhascos entre a Estrada do Céu e as Montanhas do Mar de Bruma. Apesar dos hábitos detestáveis, são mais inteligentes do que parecem. Eles possuem um idioma rudimentar, embora não tentem se comunicar com outros seres sencientes além da própria espécie. Vivendo em grandes grupos nos paredões de rocha, eles se alimentam principalmente de cadáveres, mas também atacam criaturas vivas quando estão em maior número, preferindo alvos indefesos. Essa dieta não possui nenhum estorvo em devorar carne humana, e apenas os peregrinos da Estrada do Céu parecem conhecer o segredo para manter os Avantesmas afastados ao utilizar as trilhas nas montanhas. Mesmo os veículos voadores dos Aeróstatas não estão livres dos ataques de bandos maiores, que podem derrubar um balão se não forem repelidos a tempo.

A sabedoria do Povo do Sol conta que os Avantesmas dos Penhascos são criaturas mais antigas que a humanidade, vindas das estrelas algum tempo depois dos Aeons e Horrores. Os nativos de Huakan falam que eles conhecem segredos sobre o universo como poucos, entendendo seus complexos mecanismos através de assombrosas profecias. Ainda assim, eles preferem não tomar qualquer lado mesmo nas questões mais importantes, sobrevivendo como oportunistas que tomam para si qualquer coisa que tenha o azar de cair em suas garras.

Pururauca

Hermanos despierten,
Ahora es la batalla.
Su enigma demuestren
En esta hora aciaga.

(Ch’aska – Pururauca)

Estátuas de pedra que ganham vida são comuns em muitas das culturas de Keleb. Porém, poucas possuem uma centelha de vida tão poderosa quanto a dos Pururaucas, colossos de pedra que por muitos anos defenderam o Povo do Sol dos ataques de tribos da Selva dos Sussurros. Animados pela mesma essência que dá força aos Aeons, estes gigantes podem ser controlados apenas pelos Sacerdotes do Povo do Sol. Os quatro maiores já vistos passam o tempo inteiro submersos no grande lago sobre o qual está a cidade de Chakana, prontos para despertar e emergir em tempos de necessidade. Historiadores relacionam essa poderosa forma de magia com antigos golens encontrados nas ruínas de Theocratia. As formas dos Pururaucas variam entre imponentes soldados e robustos pumas, mas seus olhos sempre brilham com uma fagulha sagrada. Existem lendas que relacionam os esses guardiões à figura de um imenso condor de pedra, capaz de voar através de um complexo encanto que se perdeu no tempo.

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