Nos níveis mais profundos do Aether, residindo além dos portões da consciência, estão as entidades conhecidas como Aeons, também chamadas de Deuses por muitos dos habitantes de Keleb. Formados a partir da interpretação das essências abstratas do universo pela humanidade, eles compreendem conceitos como as forças da natureza, a fertilidade ou a morte. Com o passar do tempo, eles foram se adaptando ás mudanças e necessidades da sociedade, assumindo novos nomes, formas e funções. Seja em templos abertos, cultos tribais ou ordens secretas, eles estão sempre presentes nos bastidores do mundo, ajudando aqueles que os buscam a melhor compreender os segredos da existência. Porém, após os antigos e sinistros eventos ocorridos no Apogeu de Theocratia e no Crepúsculo dos Deuses, descobriu-se que eles podem manifestar também os aspectos mais sombrios do inconsciente coletivo, tornando-se ideias perigosas defendidas por séquitos de fanáticos.

Guardiões dos Portões

Agindo como intermediários entre a consciência humana e o Aether, estes Aeons relacionados ao conhecimento e à comunicação são figuras centrais em Ordens de Mistérios, respeitados tanto por sacerdotes como por magos e alquimistas. Mesmo seguidores de outros Deuses costumam aprender os ritos dedicados aos Guardiões dos Portões de suas culturas, visto que eles facilitam a entrada para níveis de consciência mais elevados, onde repousa a essência de outros Aeons. Em muitas cerimônias sagradas eles são os primeiros a ser invocados, para assegurar que o contato entre os mundos material e etéreo seja realizado de maneira segura. Em Aurin o Aeon que cumpre essa função é Mercúrio, em Tawosret Thoth, em Iroko Exu e em Ashramya Hanuman. Em Bergard, o Guardião do Portão curiosamente é também a principal figura do panteão local, Odin. Os membros das Ordens não costumam erguer templos, mas sim centros de conhecimento como bibliotecas e universidades, que sempre possuem as ciências arcanas como um dos principais campos de interesse. Estudiosos de antigos escritos místicos falam sobre a existência de um primeiro Guardião do Portão, um Aeon imemorial com a forma de um espelho vivo de prata líquida. Muitos magos acreditam que tal descrição não é literal e se refere ao Aether, embora alguns acreditem que a entidade é capaz de se manifestar no mundo material e está escondida em algum lugar do deserto de Al-Gober.

As Tríplices

As Tríplices são conjuntos de Aeons femininas, relacionadas respectivamente à fertilidade, maternidade e sabedoria. Elas são o centro de diversas culturas matriarcais, como aquelas encontradas entre os Cavaleiros Bárbaros de Kynazia e entre os antigos povos de Windlan. Associadas á Lua, elas possuem três aspectos: a Donzela, que personifica as ideias de beleza, liberdade e vitalidade; a Matriarca, que manifesta o poder materno, a proteção e o amor incondicional; e a Anciã, também chamada de Parteira ou Curandeira, que representa a sabedoria e magia dominada unicamente pelas mulheres, sendo também relacionada à velhice e a morte natural. Por sua natureza tripla, estes Aeons possuem a maior variedade de nomes e formas, que vão desde a simples imagem da Lua e suas fases a panteões nos quais cada Aspecto assume uma imagem complexa e particular. Sharesukteh é uma das principais nações a possuir um grande templo dedicado à sua Tríplice. Em Aurin, o trio de Aeons conhecido como Diana, Minerva e Hécate possui mais influência nas áreas rurais, onde têm grande participação nos festivais de colheita e mudança de estação.

Miríades

Relacionadas ao Sol, as Miríades são entidades correspondentes às forças mais elevadas e antigas do universo. Estas entidades formadas pela luz espiritual de infinitas consciências são consideradas as existências mais poderosas do Aether, capazes de cegar um mortal com um mero vislumbre. Porém, sua transcendência faz com que estejam afastadas do mundo mortal, e mesmo seus oráculos e clérigos costumam levar uma vida reclusa de meditação. Durante a guerra contra os Horrores Antigos, as Miríades foram os principais aliados da humanidade, impedindo que os pesadelos despertos caminhassem durante o dia. Mas elas também foram os principais Deuses utilizados no Apogeu de Theocratia para escravizar milhões de mentes, através da obsessão por poder dos Reis Sacerdotes. Isso fez com que eles se tornassem os Aeons mais difíceis de manifestar após o Crepúsculo dos Deuses, e muitas vezes aquilo que se acredita ser a sua influência não passa de uma frágil ilusão. Em Tawosret, os templos de Rah-Herukteh se tornaram ruínas abandonadas nas montanhas, nada restando de sua presença além das histórias registradas nas paredes. Já o Templo de Shiva em Ashramya é cercado de mistérios, e pode guardar a chave para a liberação das Miríades, embora as ideias distorcidas de seus sacerdotes pareçam sugerir a terrível sombra de uma nova Theocratia.

Os Anjos são os guardiões e mensageiros das Miríades. A compreensão dos alados a respeito destas entidades é mais profunda do que a visão compartilhada pela maioria dos mortais, e a cada era eles parecem menos dispostos a dividir este conhecimento. Há quem acredite que eles estejam diretamente ligados à matéria que forma as Miríades, compartilhando da mesma essência desde a criação do cosmo. Muitos dos locais sagrados dedicados a esses Aeons, muitas vezes localizados em locais altos e de difícil acesso, são vigiados por Anjos, que agem sozinhos ou com a ajuda de ordens monásticas.

Nêmesis

Também chamadas Serpentes, as Nêmesis são Aeons nascidas das emoções mais selvagens e sombrias da humanidade. Até o Apogeu de Theocratia elas representavam o conhecimento interior, as paixões em seu estado mais bruto e os segredos dos mortos. Porém, reprimidas e condenadas durante eras, elas passaram a incorporar também o rancor das almas encarceradas nas prisões morais impostas pelos Reis Sacerdotes, ao mesmo tempo que se alimentavam das ideias perversas cultivadas nas estranhas orgias secretas da Grande Cidade. Como uma chama, as Nêmesis são passionais e destrutivas, mas são essenciais para a manutenção do equilíbrio do universo e para a compreensão plena da alma humana. Seu conhecimento é vasto e único, mas as verdades cruéis possuídas por estes Aeons ferem profundamente corações despreparados. Infelizmente, durante o Crepúsculo dos Deuses as Nêmesis foram lançadas ás escuras profundezas do Aether, aprisionadas na região conhecida como Abismo. Desde então, suas raras tentativas de despertar irrompem em explosões de fúria tão poderosas que precisam ser contidas para evitar estragos irreversíveis em Keleb. Por isso, aqueles cujo poder está ligado a uma Nêmesis raramente expõem esse fato, se revelando somente quando um grande ritual já está em andamento. A principal Nêmesis a possuir séquitos conhecidos é Tiamat, também chamada de Mãe dos Dragões. Vênus, Lilith e Apep são outros nomes pelos quais essas entidades são conhecidas, nem sempre com as mesmas características predominantes. Como outros Aeons ligados ao Abismo, as Nêmesis deram origem a hordas de Demônios, que frequentemente acompanham suas manifestações terrenas.

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