Simurg

Sabem que o nome de seu rei significa “trinta pássaros”; sabem que seu palácio fica no Kaf, a montanha ou cordilheira circular que rodeia o mundo.

(Jorge Luis Borges – O Livro dos Seres Imaginários)

Todas as florestas ancestrais que possuem uma parte do poder da Árvore do Mundo contam com espíritos sábios e nobres para protegê-las. Assim também é com as selvas tropicas da Ilha Espiral do Céu, rodeadas por palmeiras e perfumadas de jasmim. O Simurg tem a forma de um enorme e portentoso pássaro, de penas escuras como a noite e olhos que brilham como estrelas. Suas asas poderosas possuem faixas de penas em tons laranjas, esmeraldas e azuis. Sua cauda é formada por três longas plumas de pavão, maiores do que seu próprio corpo. Simurgs são capazes de viver naturalmente mil e setecentos anos. Ao fim dessa longa vida, eles vão de encontro ao Rei Simurg, o Rei dos Trinta Pássaros, desaparecendo como sombras diante do sol. As sementes de uma árvore onde um Simurg faz seu ninho são capazes de curar doenças e maldições, assim como o bater de suas asas é capaz de curar ferimentos.

Radayosh

Sobre o touro Hadhayosh, a quem eles chamam Sarsaok, é dito, que na criação original os homens passaram de região em região sobre ele, e que na renovação do universo os homens prepararam Hush (a bebida que produz imortalidade) a partir dele.

(Texto Zoroastrista)

No centro da Ilha Espiral do Céu, na montanha que segue em inúmeras voltas até a Torre da Arca, vive uma raça antiga de touros sagrados. Estudiosos das artes místicas afirmam que os Radayosh são descendentes de Kujata, o lendário Touro dos Aeons que carrega nas costas a rocha que sustenta o mundo. De pelagem inteiramente branca, eles se assemelham a um iaque. Seus chifres são longos e espiralados, e assim como os cascos possuem uma coloração dourada e fosca. Um homem que suba nas costas de um Radayosh é capaz de chegar em segurança até a Torre da Arca, mas para isso ele deverá passar por uma jornada espiritual nas sete últimas voltas ou cairá nas trevas. O leite de uma fêmea Radayosh possui propriedades curativas, e o antigo alquimista Zuleiman o listou como um dos ingredientes para o Elixir da Vida.

Jasconius

No navio, perceberam o estremecimento da ilha e gritaram para reembarcarmos depressa, ou iríamos todos morrer. O que parecia ser uma ilha era o dorso de uma baleia.

(Mil e Uma Noites – Primeira Viagem de Simbad, o Marujo)

Muitas criaturas extraordinárias vivem nos mares que circundam as Ilhas de Jezirat, algumas tão absurdas que parecem apenas invenções da mente de marinheiros afetados pela longa exposição ao sol. Em uma terra tocada pela magia dos gênios da água, é tênue a linha do impossível com relação aos seres que podem habitar o oceano. As Jasconius quebram ainda mais os limites da razão, vagando não apenas pelas profundezas do mar como também pela imensidão do céu noturno. Essas gigantescas “baleias-ilha” podem passar semanas flutuando em águas calmas, em um estado semi-letárgico, usando aromas especiais de sua boca como isca para atrair cardumes inteiros de peixes que são devorados sem esforço. Durante esse tempo, algas, corais, areia trazida pelo vento, animais aquáticos e até mesmo plantas se acumulam em suas costas expostas, fazendo com que ela possa ser facilmente confundida como uma ilha por navegantes incautos. Mais de um marinheiro azarado já sucumbiu ao acender uma fogueira nas costas de uma Jasconius e despertar a criatura, sendo tragado para o fundo do mar com a força do mergulho. Apesar do perigo, elas são seres pacíficos e pacatos quando são deixadas em paz. E são nas noites de céu claro que seu poder mais fantástico é revelado, quando elas lentamente emergem do oceano e voam lentamente pelo céu, mergulhando nas nuvens e circundando a Torre da Arca em uma sincronizada e misteriosa dança.

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