Ubyr balançava distraidamente sua taça de absinto, quando um grito de dor no corredor próximo desviou sua atenção. O cavaleiro Mutaharrik havia caído ao chão, provavelmente ao tentar reagir, e agora era espancado pelos dois soldados que o mantinham preso. Se afastando daquela cena deprimente, o alto homem moreno caminhou entre as prateleiras de livros até encontrar a cientista debruçada sobre uma mesa, os óculos refletindo a chama das velas que iluminavam o local. Ela sim era algo que valia a pena admirar, com seu corpo bem formado se insinuando no uniforme justo que usava. Se aproximando devagar pelas costas da mulher, Ubyr ficou alguns segundos apenas sentindo o perfume delicado em sua nuca, onde fios de cabelos rebeldes escapavam do coque amarrado no alto da cabeça.

-Encontrou o que procurava, senhorita Sabine? – falou então de repente, fazendo com que a cientista se virasse de súbito com a mão no coração, falando assustada -Oh! Herr Ubyr! Há quanto tempo está aqui? – Ele respondeu apenas com um suave sorriso, não se afastando nem um pouco dos poucos centímetros a que estava do rosto dela – Encontrei sim! – respondeu Sabine, saindo daquela posição embaraçosa e começando a recolher os livros – Está tudo aqui! Os manuscritos dos Engenheiros de Mavi, os planos para os homens de latão… – ela levantou o rosto para encará-lo – o Führer ficará muito satisfeito com a sua colaboração! Agora, se me der licença, eu e os rapazes temos outros assuntos da Ordem a tratar na cidade…

-Ir embora? Justo agora que estamos nos conhecendo melhor? – a expressão de Ubyr era de sarcasmo, mas seus olhos verdes faiscavam, dando àquele homem de porte elegante, vestido como um nobre do deserto e com os cabelos cacheados presos em um rabo de cavalo, uma aparência realmente ameaçadora. “olhos verdes como absinto” pensou Sabine antes de falar – Temos um trato, Herr Ubyr! – disse ela enquanto o homem tranquilamente abria a janela, fazendo a brisa noturna apagar as velas espalhadas pela biblioteca – Te entregamos o guerreiro de Mitra, e você nos entrega os manuscritos!

-Sim… – sibilou Ubyr na escuridão, apenas o brilho selvagem em seus olhos podendo ser visto enquanto se aproximava – Eles são todos seus! O que não significa que poderá deixar esse lugar com eles… – outros gritos vieram do corredor distante, desta vez não apenas do paladino, mas também dos soldados que o vigiavam. Sabine também gritou, mas seu grito era apenas de terror, pois o que veio em seguida foi um súbito êxtase, algo quente e inebriante como um gole de absinto, que a fez se contorcer de prazer ao sentir os caninos penetrarem na garganta.

Ubyr sempre era gentil com as damas que trazia até seu refúgio na grande Biblioteca de Mavi.

Anúncios