Ao extremo oeste do continente de Balthazir, estão as ensolaradas terras do Califado de Al-Dasht, dividido em duas regiões: o Califado de Sharesukteh e o Sultanato de Jezirat.

Habitada originalmente por quatro tribos nômades, Al-Dasht se tornou uma nação poderosa graças á ajuda das quatro principais castas de gênios do Aether: os Djinn, gênios do ar; Ifrit, gênios do fogo; Marid, da água; e Shaitan,  gênios da terra.

Conta a tradição do Califado que as quatro tribos vagaram pelas áridas terras de Sharesukteh durante nove gerações, explorando a região enquanto buscavam novas rotas comerciais com o leste. Nesse tempo eles desenvolveram uma ligação estreita com a paisagem inóspita, aprendendo com determinação a sobreviver com os escassos recursos e se proteger das feras que se escondiam sob a areia.

Uma noite, um vapor mefítico foi visto rondando as tendas dos nômades, vindo dos oásis, rochas, fogueiras e da própria brisa noturna, trazendo um forte odor de incenso. Nessa noite os sacerdotes e sábios das quatro tribos receberam uma visão em seus sonhos, um chamado para que todos os nômades se reuníssem em um lugar conhecido como o Planalto da Lua, ao oeste do grande deserto. Lá, cada líder das tribos foi recebido por um representante de uma das castas de gênios, oferecendo um pacto entre cada tribo e uma das castas, selado através de um desejo.

Iblis, líder da tribo de ambiciosos mercadores (cujas caravanas levavam marfim, seda e ouro trazidos de Ashrani e Ming), foi aquele que encontrou o representante dos Shaitan, o qual sentiu no homem a determinação e orgulho de seu próprio povo. Iblis desejou ao Shaitan uma fonte de riquezas inesgotável e escravos que nunca se cansassem. O gênio fez com que se abrisse aos pés do Planalto da Lua uma mina onde veios de metais e pedras preciosos surgiam aos olhos como a água de uma nascente.

Dentro da mina estavam os escravos incansáveis de Iblis, trazidos do mundo dos mortos. Dizem que estes foram os primeiros carniçais a pisar sobre a terra, sendo chamados de ghûls e tendo suas vontades submetidas aos nômades mercadores. Porém, nem mesmo tamanha fortuna foi capaz de conter a ambição de Iblis, que lançou seu olhar cobiçoso sobre as outras tribos. Durante o conflito que se seguiu anos depois, seu povo acabou sendo derrotado e exilado, fugindo para Iroko onde passaram a viver como inescrupulosos bandidos e piratas. Quanto aos ghûls, sem seus senhores para comandá-los, passaram a vagar pelo que restou das minas, as transformando em um lugar assombrado e mortal.

Sharyar, líder de um povo engenhoso conhecido por seus magos e artesãos, criadores de maravilhas que iam de olhos da lua a tapetes voadores, estudiosos das estrelas que sonhavam em conhecer as terras além de Sharesukteh, encontrou o representante dos Marid, e transmitiu a ele o desejo dele e de seus súditos.

O gênio das águas deu aos curiosos exploradores uma magnífica frota de sete navios, que podiam navegar tanto sobre as ondas como sobre as nuvens através de sua mágica, permitindo aos nômades viajar para além do Planalto da Lua. Nestas lendárias embarcações, Sharyar e seus seguidores viajaram até as Ilhas de Jezirat, onde estabeleceram o Sultanato que persiste até hoje.

Aswad, senhor da tribo mais guerreira entre as quatro, cativou a representante dos Ifrit com a coragem e presença de espírito de seu povo, vencedor de inúmeras batalhas contra invasores das nações vizinhas e bandidos renegados das tribos. Nem mesmo os anões e gigantes de fogo do Planalto da Lua eram capazes de fazer frente aos sabres de seus intrépidos nômades, que avançavam sobre o inimigo como redemoinhos de areia e aço.

Ao receber o desejo do homem, a gênio do fogo teve uma certeza ainda maior da audácia que o havia atraído. Aswad desejou  que a linhagem de sua tribo se tornasse imortal, fazendo com que seu povo jamais temesse qualquer inimigo, por mais que a morte parecesse uma certeza.

A Ifrit sabia que era um pedido perigoso, mas era astuta para encontrar uma solução sem desprezar toda aquela bravura. Então ela conduziu o líder até as florestas na parte oeste do Planalto, e lá lhe mostrou o lugar onde as fênix faziam seus ninhos. E ela lhe contou que enquanto restasse um único daqueles pássaros, a linhagem dos nômades de Aswad jamais seria extinta. Maravilhado com aqueles seres capazes de retornar de suas próprias cinzas, ele entendeu a sabedoria da Ifrit e seu desejo foi consolidado. Desde então, nada foi capaz de apagar a herança de sangue daqueles que atualmente governam Al-Dasht.

O destino da última tribo, a tribo de Balkis que encontrou com o Djinn, é o mais misterioso e também o mais terrível.

Conta-se que os nômades de Balkis eram os mais nobres e altivos, e que o desejo de sua líder foi o de governar sobre as demais tribos de Sharesukteh. O Djinn concedeu a ela a Cidadela de Vahadine, um lugar de proporções colossais no alto do Planalto da Lua, de beleza impressionante e absurda. Pontes e jardins suspensos se retorciam ao redor de torres reluzentes que quase chegavam aos céus, circundando um palácio que não poderia ser feito por mãos humanas em menos de um milênio. Foi por mais cinco gerações do alto dessa construção surreal que os descendentes de Balkis reinaram, até que durante uma tempestade de areia de força jamais vista, a cidade junto com todos os seus habitantes sumiu sem deixar vestígios.

Os motivos de tal catástrofe são um completo mistério, e o nome da cidade é uma palavra proibida, tão amaldiçoada quanto os pobres sobreviventes que não estavam dentro dos muros ao testemunhar o terrível acontecimento. Em sussurros, essas pessoas que agora vagam mais uma vez como nômades contam a cena assombrosa vista por seus antepassados: que em meio a tempestade, Vahadine se transformou em pó e foi carregada pelo vento como uma miragem desaparecendo em um sopro. E quando a tormenta finalmente cessou, só o que havia era um imenso lago de poeira na margem ocidental do planalto, um local agora evitado como um mau agouro por todos os viajantes que passam pela região.

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